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Com o tempo iremos colocando nesta
página afirmações
e modo de pensar de vários profissionais.
1. O que é Ortopedia Funcional dos Maxilares ou Ortopedia
Facial
Ao contrário da Ortodontia, a Ortopedia não aplica
forças diretamente aos dentes e nem mesmo usa força mecânica para conseguir tratar os
problemas de má-posições dos dentes. Este método de tratamento tem uma concepção
totalmente diferente.
Vamos usar um exemplo. Quando uma criança tem pernas
tortas, o médico ortopedista pode receitar botas ortopédicas. Usando corretamente essas
botas por algum tempo, as pernas irão se endireitar. Na medicina, esses tipos de
aparelhos são chamados órteses.
A Ortopedia Funcional atua de forma semelhante. Os
alicerces dos dentes, que são os óssos da maxila e mandíbula, podem apresentar alguns
problemas, como se fossem as "pernas tortas". Em conseqüência disso, os dentes
podem se apresentar também em posições erradas, mostrando-se então a má-oclusão
dental. Bem, se pudermos corrigir a posição dos óssos, os dentes possivelmente irão
para uma posição mais normal. É exatamente isso que a Ortopedia faz.
Mas não faz só isso. Mesmo nos casos em que não há
muito comprometimento dos óssos, a Ortopedia consegue também corrigir os problemas
dentais. Lembrem-se: andando com as botas ortopédicas as pernas "desentortam"
às custas dos músculos e do simples fato de andar com elas.
Ao contrário da Ortodontia, a Ortopedia não precisa das
coroas dos dentes permanentes erupcionados para começar o tratamento. Os aparelhos usados
em Ortopedia atuam sobre os óssos, músculos e outros elementos da face para obter a
correção. Pensem bem, numa criança na fase da dentição mista, se levarmos o osso
alveolar para uma boa posição, estaremos levando junto os germes dos permanentes que
irão erupcionar. E se durante a erupção, guiarmos esses dentes para uma posição
melhor ainda, teremos logo cedo correção total de todos os problemas dessa criança.
Pode perfeitamente ocorrer que não seja necessária futura Ortodontia Fixa.
A Ortopedia Funcional usa aparelhos removíveis. Não
confundam com os antigos removíveis da Ortodontia. Têm modo de ação e objetivos
totalmente diferentes.
Aparelhos removíveis têm ainda outras vantagens: não
provocam cáries, doenças da gengiva e facilitam a correta higienização bucal.
A Ortopedia "trabalha" em conjunto com o
crescimento da criança. Assim, da mesma maneira que na ortopedia médica, somente pode
ser utilizada e conseguir bons resultados se aplicada durante o crescimento facial. Após
o estirão pré-pubertal, ou seja aos 12 ou 13 anos, seus resultados são bem mais
limitados. O ideal é começar qualquer tratamento logo que se apresente a displasia
facial ou a má-oclusão dental.
Na Europa recomenda-se começar o tratamento entre os 5 e 9
anos de idade no máximo, dependendo da severidade do problema apresentado pela criança.
Luiz Augusto Teles de Souza 2. O que é Ortopedia Funcional dos Maxilares ou Ortopedia Maxilofacial 1
Segundo Brusola1, "os aparelhos removíveis
que se conhecem com o nome de Aparelhos Funcionais têm em comum o fato de utilizarem a
própria função da musculatura estomatognática, cujo equilíbrio trata-se de
restabelecer, como modo terapêutico para mover a dentição. Os aparelhos funcionais
são, por definição, mecanismos que utilizam a função para melhorar a fisiologia bucal
e a posição dental. Nesse sentido são meros transmissores de forças que procedem da
ação muscular e as fazem chegar até os dentes; é o próprio desenho mecânico o que
provoca a reação muscular e o aparelho se converte em indutor da ação deformante e,
por sua vez em um veículo capaz de recolher as forças funcionais depositando-as sobre a
dentição.
Chamam-se, portanto, aparelhos funcionais porque despertam
a função e reabilitam a fisiologia do sistema estomatognático. São aparelhos de ação
indireta porque não exercem forças diretamente, e sim promovem uma reação muscular que
atua de indiretamente sobre a oclusão. Na placa removível (ortodôntica), a força é
proveniente de um acessório ou elástico. O aparelho funcional é também removível,
porém não baseia sua ação fundamental em elementos plásticos que exercem força
diretamente; a força é proveniente da reação muscular e todos os fenômenos
adaptativos são conseqüentes da presença na boca desse mecanismo desestabilizador.
Em alguns círculos se conhecem os aparelhos funcionais
como aparelhos ortopédicos pelo seu potencial de ação sobre o crescimento de maxila,
mandíbula, côndilos e suturas faciais .Têm, em certos casos e em determinadas
circunstâncias, um efeito terapêutico que altera o crescimento dos ossos, pois a ação
ortopédica é outra das características desses aparelhos. A evolução no desenho
resultou também na incorporação de elementos ativos, em forma de arcos ou acessórios
de fio que permitem simultaneamente o movimento ortodôntico, pelo qual o aparelho é
funcional, é ortopédico e tem também uma ação ortodôntica".
"A peculiaridade comum dos aparelhos funcionais, e das
inúmeras variações que hoje existem, é o modo de aplicação da força, o que o
destingue de outros desenhos: os aparelhos funcionais não atuam de forma convencional por
meio de elementos ativos que se deformam e em seguida liberam sua energia sobre os dentes.
Os aparelhos funcionais transmitem, guiam ou eliminam forças naturais que estão
presentes no ambiente peridental, tais como a atividade muscular, o crescimento ósseo ou
a erupção dental".
"A origem da força provem da deformação da
musculatura. O aparelho afeta a posição muscular e ao deforma-la cria determinadas
pressões que se transmitem à dentição. A energia provém da alteração da fisiologia
do sistema estomatognático, e por isso exerce forcas fisiológicas bem aceitas pelos
tecidos peridentais. São de pequena intensidade e permitem a recuperação
tecidual".
José Antonio Canut Brusola
Catedrático de Ortodontia
Universidade de Valencia, Espanha
1. Brusola JAC, in Ortodoncia Clinica, p.285, Ed.Salvat, 1991
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